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Como funciona a tela de vidro dobrável da nova geração de celulares?

Os celulares dobráveis são a bola da vez da indústria de tecnologia. Somente em 2019 e 2020, empresas como Samsung, Motorola e Huawei revelaram ao mundo os seus primeiros modelos com tela de vidro dobrável.

Porém, embora o componente do display seja chamado de “vidro”, na prática não é bem assim. Seria possível quebrar as leis da física e fabricar um vidro dobrável? Tecnicamente, com o tipo de vidro que conhecemos, isso não é possível, mas com um novo tipo de vidro, sim.

Ultra Thin Glass (UTG): o vidro flexível da Samsung

Para tornar possível o smartphone Samsung Galaxy Z Flip, a empresa inventou uma forma proprietária de vidro batizada de Ultra Thin Glass (UTG). Na prática, porém, não se trata de um vidro convencional – o que, ressaltamos, seria impossível de ser dobrado segundo as leis da Física.

O vidro em questão não é do tipo convencional. Fabricado pela empresa alemã Schott, ele é simplesmente tão fino que é capaz de dobrar. “Todos os materiais que conhecemos como rígidos podem ser dobrados de alguma forma. Isso vale para o vidro”, explica Mathias Mydlak, químico responsável pelo projeto do vidro ultrafino. O segredo está em encontrar essa espessura.

Além disso, há que se considerar até que ponto essa dobra é possível. Note que, quando o celular se fecha, a extremidades internas não se tocam, mantendo uma certa distância uma da outra. É justamente aí que mora um dos truques: o vidro está dobrado em suas pontas, mas não em suas bases, como uma película de plástico.

No caso do vidro criado utilizado pela Samsung em seu smartphone dobrável, falamos da possibilidade de dobra a até 0,5 centímetros. Não é o suficiente para que ele possa ficar completamente dobrado, como uma folha de papel, mas considerando a dobra do smartphone, trata-se de uma distância mais do que suficiente para proporcionar o mesmo efeito.

A Química entra em ação

Uma folha de vidro fina o suficiente para dobrar e um espaço considerável para que as extremidades internas não se toquem. Parte do problema está resolvido, mas o que fazer com o fato de que quando esse material é estressado ele está sujeito a arranhões, bolhas de ar e rachaduras? Tente dobrar um cartão de crédito, por exemplo, e você entenderá do que estamos falando.

Entram em cena banhos químicos e tratamentos de calor para fortalecer e temperar o vidro, de maneira que ele se torne mais resistente a essas avarias. O problema é que ainda assim estamos falando de um produto delicado e sensível. Ainda que mais resistente, um simples arranhão pode “quebrar” essa barreira e tornar a tela inteira inutilizável, por exemplo.

Para reduzir esses riscos, a Samsung optou por incluir uma espécie de película sobre o vidro. Assim, caso algum dano ocorra, a película será comprometida primeiro, e não o display, o que aumentaria a vida útil do smartphone mesmo em condições mais adversas do que os ambientes controlados de teste.

Além da empresa alemã Schott, há também uma outra companhia sul-coreana envolvida no processo de fabricação do produto, a Dowoo. A Samsung tem exclusividade sobre a tecnologia da Dowoo, mas materiais de ambas as companhias foram utilizados na elaboração do smartphone Galaxy Z Flip.

Durabilidade: a resposta que virá com o tempo

Embora os fabricantes estimem que a durabilidade desse tipo de produto é longa, na prática será preciso esperar para tirar conclusões mais assertivas. Em ambientes controlados sabe-se que esses displays podem ser dobrados milhares de vezes sem que isso prejudique o desempenho do produto. Porém, nas mãos dos consumidores, as coisas funcionam de um jeito diferente.

Será preciso esperar pelo menos entre 12 e 18 meses de uso para saber como os aparelhos dobráveis se saíram em termos de durabilidade. Até lá, as empresas buscam meios de aumentar a demanda pelo produto para reduzir os custos de produção. Um smartphone dobrável está nos seus planos? Para o bem do desenvolvimento da tecnologia, a indústria espera que sim.