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Como a pandemia do coronavírus está afetando a indústria de celulares?

Vivemos dias atípicos no Brasil em razão da pandemia do coronavírus. Comércio fechado, fábricas paradas e pessoas trabalhando de casa para reduzir o contato social e minimizar a propagação do vírus.

Porém, embora esse problema só tenha chegado ao Brasil no mês de março, desde janeiro a China luta contra o mesmo problema. Origem da fabricação de muitas peças e componentes de smartphones, as fábricas paralisadas na Ásia impactaram diretamente a distribuição de componentes e eletrônicos em todo o mundo.

Como a pandemia de coronavírus impactou a indústria de celulares?

Dados da Academia Chinesa de Tecnologias da Informação e Comunicação (CAICT) indicam que as remessas de smartphones para outras partes do mundo caíram 38,9% no mês de janeiro em comparação com o ano anterior. Com lojas fechadas e fábricas paradas, as vendas despencaram e muitas peças sequer chegaram a ser despachadas.

A falta de peças utilizadas na fabricação de celulares começou a impactar as indústrias de outros países já no mês de fevereiro. No Brasil, por exemplo, a fábrica de celulares da LG localizada em Taubaté, no interior de São Paulo, optou por interromper a produção desde o último dia 2 de março por falta de material.

Já a Flextronics, que produz smartphone para a Motorola em Jaguariúna, também no interior de São Paulo, também decidiu interromper as atividades, mas já em fevereiro: desde o dia 17 a fábrica está parada sem peças para produzir novos smartphones. Ainda em fevereiro, a Samsung havia parado por três dias, mas retomou a produção posteriormente.

Coronavírus: crise se agrava no Brasil

À medida que a pandemia se agrava no Brasil e aumentam o número de casos do Covid-19, a tendência é que as fábricas demorem ainda mais para retomar as suas atividades. O período mais grave de contágio já foi superado na China e aos poucos as fábricas começam a retomar a rotina, ainda em um ritmo mais lento.

Porém, com aeroportos fechados e restrição aos voos internacionais e processos alfandegários, é bem provável que os componentes necessários para a retomada da produção não cheguem por aqui antes do final do mês de abril. Até lá, a produção deverá ficar parada com os trabalhadores em férias coletivas.

A instabilidade provocada pela pandemia deve afetar os estoques nas lojas brasileiras. Há um grande número de smartphones já distribuídos para as lojas, mas como as compras também diminuíram o consumidor ainda não sente a falta dos produtos. No entanto, se a situação persistir, é bem provável que no final do mês de abril faltem celulares no mercado, de todas as marcas.

O momento pede cautela

Ainda é cedo para avaliar qual será o impacto da paralisação das fábricas chinesas e do fechamento do comércio brasileiro nos estoques de smartphones. Inicialmente, estima-se que os aparelhos disponíveis nas lojas são capazes de abastecer o mercado por cerca de 70 dias. Entretanto, esse número não levava em consideração as paralisações no Brasil.

O provável desaquecimento da economia e a chegada de uma recessão em razão dos dias em que o comércio ficará paralisado também devem impactar na redução do número de unidades vendidas. Some a isso, a cotação do dólar, que subiu cerca de 20% nesse período e o resultado deve ser uma queda nas vendas.

Em outras palavras, ainda não é possível prever quando ou se haverá falta de produtos, mas o que se sabe é que alguns aparelhos podem faltar. O Samsung Galaxy S20, que chegaria às lojas nos próximos dias, é um dos produtos que devem ser afetados pelas dificuldades de distribuição e comercialização.